O Que Será ?

Carolina

Roda Viva

Com Açúcar com afeto

Sem açúcar

Mulheres de Atena

Cotidiano

Olê, Olá

Angélica

Trocando em miúdos

Meu caro amigo

Cálice

Iolanda

 

O Que Será ? (à flor da pele)

Chico Buarque

Intr.: Gm*  Dm*  Cm*  Ebm  Ebm7M  Am5-/7  D7/9-

Obs  : * = m7M  m7  m6

Gm                Gm*

O que será que me dá

                Dm                  Dm*

Que me bole por dentro, será que me dá

                   Cm               Cm*

Que brota à flor da pele, será que me dá

                  Ebm             Am5-/7

E que me sobe às faces e me faz chorar

   D7/9-           Gm               Gm*

E que me salta os olhos a me atraiçoar

                   Dm                  Dm*

E que me aperta o peito e me faz confessar

                     Cm            Cm*

O que não tem mais jeito de dissimular

              Ebm               Am5-/7

E que nem é direito ninguém recusar

   D7/9-        Gm              Gm*

E que me faz mendigo, me faz suplicar

                  Ebm             Ebm*

O que não tem medida nem nunca terá

                 Bb/D      C#°     Cm

O que não tem remédio nem nunca terá

 D7/9-         Gm      A5-/7      Dm

O que não tem receita

                  Dm*                   Am          Am*

O que será que será, que dá dentro da gente e não devia

         B7/Eb    Gm            Gm*

Que desconcerta a gente, que é revelia

                       Cm            Em5-/7

Que é feito uma aguardente que não sacia

      A7          Dm            Dm*

Que é feito estar doente de uma folia

                    Am              Am*

Que nem dez mandamentos vão conciliar

                  Gm           Gm*

Nem todos os ungüentos vão aliviar

                   Cm               Em5-/7

Nem todos os quebrantos, toda alquimia

     A7           Dm                Dm*

Que nem todos os santos, será que será

                  Bbm                Bbm*

O que não tem descanso nem nunca terá

                  F/A       Ab     Gm        A7        Dm     B7

O que não tem cansaço nem nunca terá, o que não tem limite

         Em        Em*                    Bm                  Bm*

O que será que me dá, que me queima por dentro, será que me dá

                   Am                Am*

Que me perturba o sono, será que me dá

                Cm               F#m5-/7

Que todos os temores me vem agitar

     B7        Em              Em*

Que todos os ardores me vem atiçar

                Bm                 Bm*

Que todos os suores me vem encharcar

                    Am               Am*

Que todos os meus nervos estão a rogar

                    Cm                F#m5-/7

Que todos os meus órgãos estão a chamar

       B7       Em                Em*

E uma aflição medonha me faz implorar

                  Cm

O que não tem vergonha nem nunca terá

                G/B        Bb°     Am7     B7          Em

O que não tem governo nem nunca terá, o que não tem juízo

   

 Minha História

Dalla - Palotino - Versão: Chico Buarque

    E                                      F#m      D

Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar

      Eb°                 B7                 E

Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar

Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente

Minha mãe se entregou a este homem perdidamente

E           A

Lá iá, lá iá, lá iá, lá iá

Ele assim como veio, partiu, não se sabe prá onde

E deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe

Esperando parada pregada na pedra do porto

Com seu único velho vestido cada dia mais curto

 

Quando enfim eu nasci minha mãe embrulhou-me num manto

Me vestiu, assim, como uma espécie de santo

Mas por não se lembrar de acalantos, a pobre mulher

Me ninava cantando cantigas de cabaré

 

Minha mãe não tardou a alertar toda a vizinhança

A mostrar que ali estava bem mais que uma simples criança

Eu não sei se por ironia ou se por amor

Resolveu me chamar com o nome do Nosso Senhor

 

Minha história é este nome que ainda hoje carrego comigo

Quando vou bar em bar viro a mesa, berro, bebo e brigo

Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz

Me conhecem só pelo meu nome de Menino Jesus

 

 Carolina

Chico Buarque

    F7M                Em7     A5+/7     Dm7

Carolina, os teus olhos fundos     guarda tanta dor

                     Gm7       D7/5+

A dor de todo esse mundo

   Gm7               C9               F7M

Eu já lhe expliquei que não vai dar, seu pranto não vai nada ajudar

   G7                        Gm7             C7/5+

Eu já convidei para dançar, é hora, já sei, de aproveitar

F7M                        Em7

Lá fora, amor, uma rosa nasceu

A7              Dm7              Cm7     F7

Todo mundo sambou, uma estrela caiu

   Bb7M         D#9    Am7

Eu bem que mostrei sorrindo

D7/9-             G6/7           G7/5+     G7    Gm7    C9

Pela janela, ai que lindo, mas Carolina não viu

Carolina, os teus olhos tristes guarda tanta amor

O amor que já não existe

Eu bem que avisei vai acabar, de tudo lhe dei para aceitar

Mil versos cantei prá lhe agradar, agora não sei como explicar

Lá fora, amor, uma rosa morreu

Uma festa acabou, nosso barco partiu

   Bb7M         D#9   Am7     D7/9-              G6/7

Eu bem que mostrei a ela,   o tempo passou na janela

  C9              Am7     D7/9-

E só Carolina não viu

   Bb7M         D#9   Am7     D7/9-              G6/7

Eu bem que mostrei a ela,     o tempo passou na janela

  C9             F7M

E só Carolina não viu

  

Roda Viva

Chico Buarque

Am7                      F7M                             E4

Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu

               F/G      C7M                   F#m4/7         E7

A gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu

              A7      Dm7              G7        C

A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar

                        Am7               F7M       E4/7     E7

Mas eis que chega a roda viva e carrega o destino prá lá

      Am7                          F6           G7

Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão

         Gm4/7     F#7/5-         F6                   E4/7    E7     Am7

O tempo rodou     num       instante nas voltas do meu     coração

 

A gente vai contra a corrente até não poder resistir

Na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir

Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há

Mas eis que chega a roda viva e carrega a roseira prá lá

 

A roda da saia, a mulata, não quer mais rodar, não senhor

Não posso fazer serenata, a roda de samba acabou

A gente toma a iniciativa, viola na rua a cantar

Mas eis que chega a roda viva e carrega a viola prá lá

 

O samba, a viola, a roseira, um dia a fogueira queimou

Foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou

No peito a saudade cativa, faz força pro tempo parar

Mas eis que chega a roda viva e carrega a saudade prá lá

 


 

Com Açúcar, Com Afeto

Chico Buarque

D7M             D7M         C#m5-/7  Bm7          G7           F#7

Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto prá você parar em casa

        G7                        Bm7

Qual o quê, com seu terno mais bonito

     Bm/A         Ab°                         C#m7     A7

Você sai, não acredito quando diz que não se atrasa

D7M

Você diz que é um operário, sai em busca do salário prá pode me sustentar

Qual o quê, no caminho da oficina

Há um bar em cada esquina prá você comemorar

F#7      B7M

Sei lá o quê, sei que alguém vai sentar junto

               D#m5-/7       Ab7       C#9     F#7

Você vai puxar assunto, discutindo futebol

                   B7M                    D#m5-/7    Ab7        C#9    F#7

E ficar olhando as saias de quem vive pelas praias coloridas pelo sol

 

Vem a noite, mais um copo,

Sei que alegre, "ma non tropo", você vai querer cantar

Na caixinha um novo amigo vai bater um samba antigo prá você rememorar

 

Quando a noite enfim lhe cansa você vem feito criança prá chorar o meu perdão

Qual o quê, diz prá eu não ficar sentida

Diz que vai mudar de vida prá agradar meu coração

 

E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado

                     B7                                     Em

Como vou me aborrecer, qual o quê, logo vou esquentar seu prato,

         C#7            C#°                  F#7          Bm7

Dou um beijo em seu retrato e abro os meus braços prá você

 

 

Sem Açúcar

Chico Buarque

 

Am                Bb/A                  B/A      E7/G#

Todo dia ele faz diferente, não sei se ele volta da rua

              F#7        B/D#              G#m5-/7     C#7     F#m

Não sei se me traz um presente, não sei se ele fica   na     sua

F#m/E     D7M       C#m7                F#7     Bm5-/7

Talvez ele chegue sentido, quem sabe me cobre de beijos

                G7           A                F7M         Am   Am/G    F7M   E7

Ou nem me desmancha o vestido, ou nem me adivinha os desejos

 

Dia ímpar tem chocolate, dia par eu vivo de brisa

 

Dia útil ele me bate, dia santo ele me alisa

 

Longe dele eu tremo de amor, na presença dele me calo

 

Eu de dia sou sua flor, eu de noite sou seu cavalo

 

A cerveja dele é sagrada, a vontade dele é a mais justa

 

A minha paixão é piada, sua risada me assusta

 

Sua boca é um cadeado e meu corpo é uma fogueira

                                                  Am    Am/G

Enquanto ele dorme pesado eu rolo sozinha na esteira

F7M            E7         Am

Ele nem me adivinha os desejos

 

Eu de noite sou seu cavalo

 

Eu rolo sozinha na esteira

 


 

Mulheres de Atenas

Chico Buarque

 

Intr.: D  E/D  G/D  A/D  D

D              E7                   G         A7

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas

D                   E7             Gm/Bb    D/A

Vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas

G7M             A               F#/A#         Bm7            A7        D      D7

Quando amadas se perfumam, se banham com leite, se arrumam, suas melenas

G7M          A                C#m5-/7        Bm7

Quando fustigadas não choram, se ajoelham, pedem, imploram

A7           D

Mais duras penas, cadenas

 Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas

Sofrem por seus maridos, poder e força de Atenas

Quando eles embarcam, soldados, elas tecem longos bordados, mil quarentenas

E quando eles voltam, sedentos, querem arrancar violentos

Carícias plenas, obcenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas

Despem-se pros seus maridos, bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho costumam buscar os carinhos de suas falenas

Mas no fim da noite, aos pedaços, quase sempre voltam pros braços

De suas pequenas Helenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas

Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas

Elas não têm gosto ou vontade, nem defeito, nem qualidade, tem medo apenas

Não têm sonhos, só têm presságios, o seu homem, mares, naufrágios

Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas

Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas e as gestantes abandonadas não fazem cenas

Vestem-se de negro, se encolhem, se conformam e se recolhem

Às suas novenas, serenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas

Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas

 


Cotidiano

Chico Buarque

Todo dia ela faz tudo sempre igual

Dm

Me sacode às seis horas da manhã

     C

Me sorri um sorriso pontual

  Bb             A7           

E me beija com a boca de hortelã

 

Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar

E essas coisas que diz toda mulher

Diz que está me esperando pro jantar

E me beija com a boca de café

 

Todo dia eu só penso em poder parar

Meio-dia eu só penso em dizer não

Depois penso na vida prá levar

E me calo com a boca de feijão

 

Seis da tarde, como era de se esperar

Ela pega e me espera no portão

Diz que está muito louca prá beijar

E me beija com a boca de paixão

 

Toda noite ela diz prá eu não me afastar

Meia-noite ela jura eterno amor

Me aperta prá eu quase sufocar

E me morde com a boca de pavor

REPETE 1ª ESTROFE

 

  

Olê, Olá

Chico Buarque

D/F#             Em                       C                  Em

Não chore ainda não, que eu tenho um violão e nós vamos cantar

D/F#        Em                   C                Em

Felicidade aqui pode passar e ouvir, e se ela for de samba

             F6/9    B7    Em

De querer ficar

C7                F             C#7             F#                D7

Seu padre toca o sino que é prá todo mundo saber que a noite é criança

                  G                    D#7                G#

Que o samba é menino, que a dor é tão velha que pode morrer

     D7     G7M               C7                    B7

Olê, olê, olê, olá, tem samba de sobra, quem sabe sambar             1

             C/Bb                   F/A                  B7               Em

Que entre na roda, que mostre o gingado, mas muito cuidado, não vale chorar

Não chore ainda não, que eu tenho uma razão prá você não chorar

Amiga me perdoa se eu insisto à toa, mas a vida é boa para quem cantar

 

Meu pinho toca forte que é prá todo mundo acordar

Não fale da vida, não fale da morte, tem dó da menina, não deixa chorar

 

REPETE 1

Não chore ainda não, que eu tenho a impressão que o samba vem aí

E um samba tão imenso que eu às vezes penso que o próprio tempo

Vai parar para ouvir

 

Luar espere um pouco que é prá meu samba poder chegar

Eu sei que o violão está fraco, está rouco,

Mas a minha voz não cansou de chamar

 

Olê, olê, olê, olá, tem samba de sobra, ninguém quer sambar

Não há mais quem cante, nem há mais lugar,

             D7                   G

O sol chegou antes do samba chegar,

                 C7                F                 B7               Em

Quem passa nem liga, já vai trabalhar, e você, minha amiga, já pode chorar

 

 


Angélica

Chico Buarque - Miltinho

 

Intr.: ( C  G7/9- )

C                G/B     Bb               Fm      C

Quem é essa mulher que canta sempre esse estribilho

C/G       D/F#         Bb/F   F

Só queria embalar meu filho

Fm              E7         Am9     Am/G     D/F#   F   G7

Que mora na escuridão do mar

Quem é essa mulher que canta sempre esse lamento

                                                       Am          G#°

Só queria lembrar o tormento que fez o meu filho suspirar

Quem é essa mulher que canta sempre o mesmo arranjo

                                                        Am9     Am/G     D/F#   F   G7

Só queria agasalhar meu anjo e deixar seu corpo descansar

Quem é essa mulher que canta como dobra um sino

                               Fm             E7   G7       C

Queria cantar por meu menino, que ele já não pode mais cantar

D                A/C#     C              Gm      D

Quem é essa mulher que canta sempre esse estribilho

D/A       E/G#        C/G   G    Gm           F#7         Bm9    Bm/A    E/G#   G   A7

Só queria embalar meu filho     que mora na escuridão do mar

     D

Do mar

 

 

Trocando em Miúdos

Chico Buarque - Francis Hime

 

A7M         A7/5+                D7M   Dm7

Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim, não me valeu

A7M            A7/6            D6           Dm6

Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim, o resto é seu

Am9           Am/G            F#m5-/7            F7M               Am

Trocando em miúdos, pode guardar as sobras de tudo que chamam lar

               Am/G            F#m7

As sombras de tudo que fomos nós

                  B7                E7M

As marcas do amor nos nossos lençóis

              E7/9-           A7M

As nossas melhores lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar, pode esquecer

Aquela aliança você pode empenhar ou derreter

Mas devo dizer que não vou lhe dar o enorme prazer de me ver chorar

 

                            F#m7  B7    F#m7  B7   Bm7  E7  Bm7  E7

Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago, meu peito tão dilacerado

  A7M

Aliás, aceite uma ajuda do seu futuro amor, pro aluguel

 

Devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu

Am9          Am/G           F#m5-/7            F7M           Am

Eu bato o portão sem fazer alarde, eu levo a carteira de identidade

        Am/G          F#m5-/7                F7M              Am9

Uma saideira, muita saudade, e a leve impressão de que já vou tarde

  

Meu Caro Amigo

Chico Buarque - Francis Hime

Intr.: ( C   D#°    Dm7   G7 )

(C          D#°         Dm7      G7)

Meu caro amigo me perdoe por favor   se eu não lhe faço uma visita

                                           C       D#°          E7

Mas como agora apareceu um portador, mando notícias nesta fita

Am                  B7             Em                        F             G

Aqui na terra tão jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock 'n roll

C         D#°            Dm7      G7

Uns dias chove, noutros dias bate sol

C                          A7                     D7

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Fm                   Em7        A7        Dm7       G7         Em7           A7

Muita mutreta prá levar a situação que a gente vai levando de teimoso e de pirraça

      Dm7         G7             Em7            A7        D7           G7    C

Que a gente vai tomando, que também sem a cachaça ninguém segura esse rojão

 Meu caro amigo eu não pretendo provocar nem atiçar suas saudades

Mas acontece que eu não posso me furtar a lhe contar as novidades

 REFRÃO

É pirueta prá cavar o ganha pão que a gente vai cavando só de birra, só de sarro

Que a gente vai fumando, que também sem um cigarro ninguém segura esse rojão

 Meu caro amigo eu quis até telefonar, mas a tarifa não tem graça

Eu ando aflito prá fazer você ficar a par de tudo que se passa

REFRÃO

 Muita careta prá engolir a transação que a gente tá engolindo cada sapo no caminho

E a gente vai se amando que também sem um carinho ninguém segura esse rojão

 Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever

Mas o correio andou arisco

Se me permitem vou tentar lhe remeter notícias frescas nesse disco

 REFRÃO

 A Marieta manda um beijo para os seus, um beijo na família, na Cecília e nas crianças

 O Francis aproveita prá também mandar lembranças,

 A todo o pessoal, adeus

 

Cálice

Chico Buarque - Gilberto Gil

E                        G#                             A

Pai, afasta de mim esse cálice, Pai, afasta de mim esse cálice

     F#7                E/B       B7             E

Pai, afasta de mim esse cálice de vinho tinto de sangue

        C#m              C#m7M           C#m7         F#7/C#

Como beber dessa bebida amarga, tragar a dor, engolir a labuta

         A7M                F#7/C#         B7/6    B7/5+        E

Mesmo calada a boca resta o peito, silêncio na cidade não se escuta

De que me vale ser filho da santa, melhor seria ser filho da outra

 Outra realidade menos morta, tanta mentira, tanta força bruta

        C#m           C5M           E/B                 F#/A#

Como é difícil acordar calado, se na calada da noite eu me dano

         A7M               F#/A#               B7/6    B7/5+     E

Quero lançar um grito desumano que é uma maneira de ser escutado

 Esse silêncio todo me atordoa, atordoado eu permaneço atento

 Na arquibancada, prá qualquer momento, ver emergir o monstro da lagoa

 De muito gorda a porca já não anda, de muito usada a faca já não corta

Como é difícil, pai, abrir a porta, essa palavra presa na garganta

Esse pileque homérico no mundo, de que adianta ter boa vontade

Mesmo calado o peito, resta a cuca dos bêbados do centro da cidade

 Talvez o mundo não seja pequeno, nem seja a vida um fato consumado

Quero inventar o meu próprio pecado, quero morrer do meu próprio veneno

Quero perder de vez tua cabeça, minha cabeça perder teu juízo

Quero cheirar fumaça de óleo diesel, me embriagar até que alguém me esqueça

 

 

Iolanda

Chico Buarque - Pablo Milanes

Intr.: ( G )  C/E  D/F#

G                                        C/G

Esta canção não é mais que mais que uma canção

D/F#                          G          C     D

Quem dera fosse uma declaração de amor

G                      C

Romântica, sem procurar a justa forma

D                                         G

Do que me vem de forma assim tão caudalosa

G       C        D                 G     C/G

Te amo,  te amo,  eternamente, te amo

G                      C/G             D/F#                             G    C/G    D

Se me faltares nem por isso eu morro, se é prá morrer quero morrer contigo

G                         C            D                             G

Minha solidão se sente acompanhada, por isso às vezes sei que necessito

Teu colo, teu colo, eternamente, teu colo

G                          C/G        D/F#                     G     C/G     D

Quando te vi eu bem que estava certo de que me sentiria descoberto

G                   C                 D                                 G

A minha pele vai despindo aos poucos, me abres o peito quando me acumulas

De amores, de amores, eternamente, de amores

G                           C/G   D/F#                         G    C/G    D

Se alguma vez me sinto derrotado eu abro mão do sol de cada dia

G                        C            D                            G

Rezando o credo que tu me ensinaste, olho teu rosto e digo à ventania

G      C       D                 G

Iolanda, Iolanda, eternamente, Iolanda

C/G       D       G

  Eternamente, Iolanda