Chinoca

 

Chinoca, de olhar parado
como um banhado do pampa,
revives, na tua estampa
de silvestre graça em flor,
requebros de colibri
e os dengues da juriti
nos jasmineiros do amor.


Balanças, no olhar tristonho,
o doce buçal do sonho,
fazendo o peão mais carancho
vir palanquear-se , sozinho,
no rancho
do teu carinho.


Ao te ver, musa campeira,
nessa cadência faceira
de uma dengosa perdiz,
eu lembro o tempo feliz
em que tive uma chinoca
que ou amei e que me quis...
Mas, por fados adversos,
eu a perdi... e, hoje, a evoca
a saudade, nestes versos


Primeira namoradinha
das muitas que Deus me deu,
te fiz chorar, chiniquinha,
na tua inocência triste
de jutiri tão mansinha
que a vida não corrompeu,
quando, partindo, me viste
para a cidade distante...


E, ao recordar teu semblante,
hoje que chora sou eu.