TEXTOS SUBSÍDIOS DE DESENVOLVIMENTO DE COMUNIDADE

PELOTAS E OUTRAS CIDADES

 

 

  1. PELOTAS ONTEM

 A história de Pelotas tem início com a vinda dos açorianos, primeiros colonizadores, antepassados de muitas famílias pelotense. Deles foram herdado muito da religiosidade e costumes. Agricultores, trouxeram as sementes sendo os primeiros plantadores de trigo. No fim do século XVIII e princípio do XIX se notabilizaram por esse plantio. Legaram a seus descendentes o gosto pela música, pelo teatro e a pompa nas solenidades.

Aproximadamente em 1740, chegou a primeira leva de colonizadores, vindos da Ilha do Açores. Portugal. Destes, do Alferes Antônio Furtado Mendonça e Dona Izabel da Silveira e dos seus cinco filhos descendem muitas famílias pelotense.

Uma das primeiras referências históricas do surgimento do Município data de junho de 1758, através da doação que Gomes Freire de Andrade, Conde de Barbacena, fez ao Coronel Thomaz Luiz Osório, das terras que ficavam às margens da Lagoa dos Patos (Laranjal)

 As estâncias foram surgindo, aqui e ali, a exportação de bovinos para o Rio, Minas, São Paulo se constituía numa realidade. Foi dessa maneira que os colonos se erradicaram ora ocupando terrenos próximos, ora nos campos entre o Arroio  Taim e o Canal São Gonçalo.

Em 1779, Dona Francisca Joaquina de Almeida Castelo Branco, viúva do coronel Thomaz Luiz Osório, vende as terras originárias do município de Pelotas, havidas pela doação de 18 de junho de 1758, as quais passaram a propriedade do casal Isabel Francisca da Silva e Manoel Bento Rocha, capitão-mor. Dona Isabel era irmã de Mariana Eufrásia e de Joaquina Margarida.

Após a morte de Dona Isabel é que o inventário de sua fazenda foi homologado por sentença de 24 de abril de 1812, conforme notas existentes no arquivo da prefeitura. A partilha constava das instâncias denominado Patrimônio – Galatea e Laranjal.

Nosso passeio sobre a história de Pelotas inicia na fundação da freguesia passando pela vila e cidade de acordo com os assuntos que mencionarei a seguir.

 

FREGUESIA: Povinho de São Francisco de Paula, com cerca de 150 famílias, charqueadas ou fábricas de carne salgada, com agregados, suas famílias e um bom número de escravos. Em 07 de julho de 1821 a freguesia recebeu o alvará  de reconhecimento  como tal, por iniciativa de um padre.

De Portugal vieram às imagens dos Santos que seriam os padroeiros das primeiras capelas que começaram a surgir. Em 1826 começou a construção da atual Catedral são Francisco de Paula que foi edificada por fora da primeira capela.

A Igreja teve papel relevante na fundação da freguesia. As procissões realizadas em torno da imagem de um Santo revelam fatos importantes da época porque congregavam a sociedade em função de uma atividade mística comum.

Vários nomes de religiosos se destacaram e hoje emprestam seu nome a rua, praças e localidades:

 

       VILA: A freguesia foi elevada a categoria de vila em 07 de dezembro de 1830.

 

CIDADE: A vila foi elevada a esta categoria em 27 de setembro de 1835.

 

PELOTAS:  O nome de Pelotas se origina da embarcação que se usava para atravessar o rio São Gonçalo e que se chamava “Pelota”.

 

      ALGUNS FATOS INTERESSANTES SOBRE A HISTÓRIA DA CIDADE

BANCO PELOTENSE – Em 1906 foi fundado o Banco Pelotense, que chegou a possuir 28 filiais no Estado e fora dele. Estava localizado na rua Marechal Floriano esquina Andrade Neves.  Por várias questões e dentre elas a política o Banco quebrou, causando grandes prejuízos para seus clientes e para a economia de Pelotas.

 

DOCES E CULINÁRIA -  A fama de Pelotas como a cidade dos doces e das melhores doceiras do País é um dos pontos fortes da cidade. É uma fama que alcança níveis internacionais. A origem dessa prática é portuguesa  e se dava no contexto de economia familiar, passando para um processo de industrialização.  A mistura dos dotes portugueses com a dos negros possibilitou um processo cultural específico da nossa região com um requinte de qualidade inigualável.

 

      CEMINTÉRIOS – Em 1780, os mortos eram enterrados em pleno campo, longe das habitações. O primeiro assentamento de       óbitos que consta no primeiro livro de registros aconteceu no Cemitério da Boa Vista. Há ainda, o registro dos primeiros   

      enterramentos que aconteceram dentro da Catedral São Francisco de Paula e de outros posteriormente em catacumbas   

      construídas ao longo dos muros, nos fundos do prédio da Catedral. No interior do templo, contudo, continuaram a ser              

      sepultadas as pessoas mais importantes da cidade (1818)

A cólera, epidemia que chegou a Pelotas em 1825, obrigou a construção de novos cemitérios devido a grande mortalidade de pessoas. Os cemitérios foram se organizando conforme a necessidade da sociedade, mas sempre coma a chancela da Igreja.

Em 1860 os enterramentos eram feitos com acompanhamento de procissões onde os passageiros eram conduzidos em diligências acompanhando a carruagem que levava o defunto. Conforme as posses do morto e sua família eram os cortejos. Mais ricos, mais cavalos, mais adornos. Para as pessoas pobres a estrutura era bem mais singela.

 

CADEIAS E ESCOLAS – A primeira Câmara Municipal instalada em 1832 teve que resolver dois grandes problemas de infra-estrutura municipal, criação de escola e de uma cadeia.

A primeira escola veio a funcionar em 1833, com 244 alunos de ambos os sexos. Ela se dedicava ao ensino das primeiras letras, gramática, latim, geometria, francês e alfabetização.

A primeira cadeia pública foi construída na esquina das ruas Paissandu e 7 de setembro, onde hoje está localizada a capela do Santíssimo.

Existiu e funcionou a forca em Pelotas, erguida ao norte da Igreja Matriz (na área hoje ocupada pela praça Júlio de Castilhos). Houve ali algumas execuções. Mais tarde depois de abolida a pena de morte a forca foi desmanchada e suas madeiras aproveitadas em outras construções. Para as pessoas antigas de Pelotas, a praça ainda é chamada de “Praça dos enforcados”.

 

PONTE DE PEDRA – Marco histórico, permitiu o acesso de produtos e gente a diversos pontos da cidade, construída em cima do Arroio santa Bárbara (fim da rua Marechal Floriano). A sua construção se deu em função das enchentes e representou um progresso para a cidade. Foi desativada pelo desvio feito no Arroio Santa Bárbara. A faixa do terreno da ponte de pedra , após sua desativação, propiciou a construção do hospital da  Santa Casa de Misericórdia em 1861.

 

PRAÇA CORONEL PEDRO OSÓRIO – Esta situada entre as ruas XV de Novembro , Félix da Cunha , Marechal Floriano e Lobo da Costa. É a principal praça da cidade e possui 13 mil metros quadrados com muita arborização e canteiros floridos. Os oito corredores conduzem ao chafariz central, criação do escultor Francês Durenne Sonnevoire. Esse chafariz, cujo nome é Fonte das Neiredas, veio da França em 1872, sendo montado pela Cia. Hidráulica Pelotense com o objetivo de fornecer água potável em barris para à população.

 

MUSEU DA BARONESA – Casarão adquirido pela família Antunes Maciel, Barão e Baronesa de Três Cerros, em 1863, rodeado de parque arborizado, com sete hectares de área. Seu acervo constitui-se basicamente de peças de mobília, pratarias, vestuários, esculturas e quadros de sua época. É o mais importante museu de costume do interior do Rio grande do Sul, situa-se na Avenida Domingues de Almeida, 1490, bairro Areal.

 

TEATROS – O teatro Sete de Abril (o mais antigo do Brasil) e o teatro Guarani foram palcos de grandes apresentações teatrais. Sempre com grades públicos foram apresentados espetáculos nacionais e estrangeiros. A cultura do povo pelotense de apreciar o que era bom, adquiria dos portugueses, sempre motivou aos artistas a se apresentarem em Pelotas.

 

ARQUITETURA – O status social da época ficou determinado pela arquitetura de seus prédios, voltados para cultura européia. A feição neo-renascentista deu a Pelotas uma visão de residências ricas e prédios públicos sofisticados com arquitetura pesada e rebuscada. A arquitetura importada somou-se alguns aspectos utilitários da região. O mobiliário usado era o mais requintado possível em função do poder aquisitivo da população.