ALGUMAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS DE DC

 

1. DESENVOLVIMENTO

 

    1.1. CONSIDERAÇÕES  GERAIS : Desenvolvimento é igual a um processo macro-sociológico, caracterizado por mudanças qualitativas das condições vigentes em uma sociedade. Mudanças espontânea ou provocadas.

 

Ruben Utria - “Se trata de um intenso e articulado processo de seqüência de fatos sociais intimamente ligados , inter-relacionados, no qual, cada um é, ao mesmo tempo efeito e causa e todos exercem ação mútua recíproca”.

 

Fatores estratégicos para o desenvolvimento:

 

* Existência de estrutura econômica capaz de financiá-la;

* O desenvolvimento econômico é visto como  condição necessária para o desenvolvimento mas não suficiente para o desenvolvimento global.

Mudanças apontadas:

  a) Mudança na distribuição demográfica da população.

b)             na economia

c)             sócio-culturais

d)             estrutura política

Todas as mudanças são interativas, há uma relação de causa e efeito circular

 

COMUNIDADE

Myrian Veras “Considera como uma unidade social dinâmica onde se destacam os fatores de 

                       relacionamento, de   delimitação geográfica e de função.”

 

Análise da teoria de D.C.

 

* Retrospectiva histórica

Evolução de conceitos

Foco  conceitual = comunidade

Âmbito e objetivos ampliados - Local, Regional e Nacional

Componentes comuns:

* objetivos definidos

* Referencial teórico-prático

* Fases do método, da dinâmica do processo e modalidade operativas definidas

* Padrões reconhecidos de valores normativos e instrumentais

* área definida da prática

 

OBJETIVOS:

Gerais:

a) Promoção do homem

b) Aceleração da dinâmica do desenvolvimento geral

 

Específicos:

a) Ampliação do ritmo do desenvolvimento local;

b) Ampliação das atividades e programas locais;

c) Oferecimento de meios para a elevação dos níveis de vida;

d) Criação e/ou fortalecimento da consciência da identidade comunitária;

e) Viabilização da participação crescente da comunidade;

f) Orientação das mudanças que ocorram na  comunidade

g) Criação de condições favoráveis ao desenvolvimento, garantindo continuidade e segurança.

 

 QUESTÕES E CONCEITOS  FUNDAMENTAIS DO PROCESSO DE 

DESENVOLVIMENTO DE COMUNIDADE

 

 

Desevolvimento

A problemática do desenvolvimento e do subdesenvolvimento começa a ser pensada e trabalhada no mundo moderno e , principalmente nos períodos pós-guerras, a tal ponto que sua importância e centralidade se transformou nesses períodos numa preocupação de determinados governantes no mundo todo.

Para uma melhor compreensão sobre esses temas de  desenvolvimento e subdesenvolvimento,  Ander-Egg, preconiza a necessidade de se compreender alguns conceitos, tais como: riqueza, evolução, progresso, crescimento, desenvolvimento econômico entre outros.

 

Riqueza 

Entre os teóricos clássicos que abordam a temática do desenvolvimento sempre houve referência direta entre riqueza e desenvolvimento. Para eles o desenvolvimento se relaciona diretamente entre "os bens que um País pode obter" . Isso pressupõe a liberalidade do mercado e o livre jogo da oferta  e da demanda para um melhor funcionamento do conjunto do sistema econômico. Um dos grandes clássicos que trabalhou profundamente essa temática encontra-se na "Riqueza das Nações" de Adam Smith.

 

Evolução 

 A noção de evolução surge do impacto das teorias evolucionistas do tipo darwiniano, a partir de uma visão organicista da sociedade, concebe a troca da mesma como uma mutação gradual, permitindo a seleção natural dos mais aptos.

 

Progresso 

A questão do progresso esta fundamentada na filosofia iluminista do Século XVIII e na filosofia da história do século XIX, particularmente com Augusto Comte e Hegel.

Introduz uma nota otimista e secularizada: por outro lado, esta ligada diretamente a aplicação da ciência nas atividades produtivas , na incorporação de novas técnicas e, em geral na modernização das  instituições sociais e das formas de vida. Por outra parte, concentra sua atenção sobre os problemas microeconômicos ( comportamento de unidades econômicas individuais, papel dos mercados e dos sistemas de preços ) . 

 Crescimento

      Aparece logo a noção de crescimento, entendido este como ritmo de expansão a longo prazo e contraposto a noção de estancamento. Se trata de evitar as crises e os problemas  que se derivam delas. Também se empregou a palavra crescimento para sinalar o aumento progressivo e continuado do produto interno num  período determinado, sem que interessassem os câmbios estruturais. Em geral , se pode afirmar , que o desenvolvimento se concebe e se mede em termos de taxa de crescimento.

  Desenvolvimento Econômico

      Assim se chega ao conceito de desenvolvimento econômico induzido, e mais tarde, programado, que aparece simultaneamente como uso das categorias de subdesenvolvimento de desenvolvimento.

     Em meados da década de 60, a questão da marginalidade, unidas a da integração e participação popular, adquirem importância relevante  na relação dos problemas econômicos.

     A medida que se foi superando a perspectiva fundamentalmente econômica no tange ao desenvolvimento, se chegou a uma concepção de desenvolvimento integral e de um enfoque unificado.

     A concepção unificada do desenvolvimento se contrapõe a concepção que concebe o desenvolvimento  como crescimento , privilegiando os valores econômicos sobre todos os demais.

 Desenvolvimento

      A compreensão do desenvolvimento por si só é complexa. de acordo com Maria Luiza Souza, desenvolvimento é um “processo que supõe a ação do homem no usufruir do progresso social, assim como no definir e gerir esse progresso em função das suas necessidades humanas e sociais” (SOUZA, 1991:77)

  COMUNIDADE

      O termo comunidade é um dos termos mais utilizados nas Ciências Sociais, na linguagem corrente e na linguagem científica. Pode significar: um pequeno grupo, um bairro, um povo, um município, uma província, uma nação etc.

      As vezes quando se fala em comunidade, o termo designa uma localidade a área geográfica: se trata de todas as definições que se leve em conta  primordialmente os limites geográficos, os de influência e os fatores físicos sobre as relações sociais. Também se fala em comunidade para designar a estrutura social de um grupo  , estudando as instituições do mesmo e os diversos problemas , status, e classes sociais.

      Outras conceituações destacam o aspecto psicológico, considerando a comunidade como sentimento e consciência de pertença.  

     Por fim, o conceito mais freqüente, se amplia  o termo comunidade como o equivalente e sinônimo de sociedade.

 O QUE ENTENDEMOS POR COMUNIDADE ?

 Agrupamento de pessoas que se percebem como uma unidade social. Certamente a idéia de pessoas  vinculadas entre si é um constitutivo que esta na base do conceito.

 Cujos membros participam de alguma ação,  interesse , elemento, objetivo e função comum. Essas unidades sociais mais ou menos amplas, para que sejam consideradas comunidades devem envolver  as pessoas em atividades, ações e alguns objetivos comuns.

 Com consciência de pertença : para formar parte de uma comunidade as pessoas devem ter consciência de pertencer a ela.

 Situados numa determinada área geográfica: toda comunidade ocupa sempre um determinado território.

 Na qual uma pluralidade de pessoas se inter-relacionam mais intensamente entre si: os membros de uma comunidade devem   manter uma interelação e um certo grau de integração na busca de atingir seus objetivos.

Ander Egg , conceitua comunidade como; “ uma unidade social cujos membros participam de alguma ação , interesse  ou função comum, com consciência de pertencer, situados numa determinada área geográfica na qual a pluralidade de pessoas se inter-relacionam mais intensamente entre si do que em outro contexto”

Myriam Veras Baptista conceituando  comunidade diz “será considerada como uma unidade social dinâmica, onde se destacam os fatores de relacionamento, de delimitação geográfica e de função.”

 Maria Luíza de Souza “ comunidade  é uma área geográfica, um local de moradia, um cotidiano de relação, uma forma particular de expressão da própria comunidade. É, em outros termos... um conjunto de grupos e subgrupos de uma mesma classe social, que têm interesses e preocupações comuns sobre condições de vivência no espaço de moradia e que, dadas as suas condições fundamentais de existência, tendem a ampliar continuamente o âmbito de repercussão dos seus interesses, preocupações e enfrentamentos comuns”(SOUZA, 1991: 68)

 Bibliografia Consultada:

EGG, Ezequiel Ander. Metodologia e Práctica de Desarrollo de la Comunidad . Humanitas.

BAPTISTA, Myrian Veras. Desenvolvimento de Comunidade. Cortez

SOUZA, Maria Luiza de - Desenvolvimento de Comunidade e Participação  

 

 CONTROVÉRSIAS EM TORNO DE COMUNIDADE E SOCIEDADE

(TEXTO DE WILLIAM CÉSAR CASTILHO PEREIRA)

 

Segundo Robert Nisbet, a configuração de idéias em torno da temática comunidade teve, no século XIX, a mesma importância que a idéia  de contrato social na Idade da Razão. Para o autor, o termo comunidade foi o eixo ao redor do qual foram geradas diferentes alternativas políticas.

 

Os traços identificatórios em torno do significante comunidades-reais ou imaginárias, tradicionais e impostos, instituídos e instituintes - chegaram a formar em muitas esferas do pensamento a imagem de uma boa sociedade. as idéias em torno da comunidade transformaram-se em legítimos paradigmas de associações como o Estado, a Igreja, os movimentos sociais revolucionários,  os sindicatos, as associações profissionais e as cooperativas.

 

A nomenclatura comunidade extrapola o sentido de um mero espaço local. A rede simbólica em torno da comunidade abarca uma teia de configurações, de idéias, de utopias e de formas de relações , como o alto grau de intimidade pessoal, compromisso ético, coesão social, continuidade espacial e temporal, sentimentos de pertencimento, motivações e desejos comuns. Seus arquétipos principais são originários da instituição familiar, célula básica da sociedade, lugar de segurança e de bem-estar e do ethos da organização da sociedade rural, território de estabilidade, de pertinência e de unidades orgânicas de grupos comunitários e coorporativos.

 

A partir do século XIX , as idéias em trono do significado comunidade criaram corpo e fortaleceram-se como contraponto às matrizes da Modernidade e aos ideários sociopolíticos iluministas. A imagem de indivíduos livres por natureza, atomizados, secularizados, urbanos e racionalmente unidos em uma forma específica e limitada de associações liberais (não de grupos e pessoas pertencentes  a corporações de  artesões ou de associação de camponeses) eram o grande obstáculo aos arquétipo comunitaristas.

 

Ora, a questão principal do século XIX era o aumento exacerbado da pobreza: excesso de riqueza de um lado e pouquíssimas possibilidades de vida para os novos atores sociais, os trabalhadores. O dispositivo comunidade renasce nesse cenário de resistência, de luta e de alternativas em torno de melhores condições de vida. Essas são agudas reações do incipiente  movimento operário e dos intelectuais de diversos campos de saberes, com o objetivo de contestar os desvios e as graves conseqüências dos  pressupostos teóricos da modernidade , sobretudo da Revolução Industrial.

 

Portanto, a partir do século XIX, a polêmica entre subjetividade comunitárias e indivíduo  estava assentada em inúmeros pressupostos teóricos. Os partidários dessa premissa centralizam suas criticas  na exacerbação do indivíduo, no racionalismo e nas administrações  burocráticas econômicas , nas formas de contrato social entre homens livres no modelo industrial e na preferência por formas sociais urbanas universais, anônimas, e complexas.

 

Para os partidários d modernidade, os arquétipos da comunidade estavam vinculados a grupos locais e associações religiosas , familiares do sistema feudal, de profissionais artesãos, repletos de um ethos cultural, moral, de tradições, de coesão e coerção social e resistentes ao progresso e a modernização sociopolítica.

 

Já o pensador alemão Ferdinand Tönnies (1965) concebia um processo evolutivo entre comunidade e a sociedade. Segundo seu pensamento, a comunidade era um estágio pré-capitalista, formada por grupos primários e de base econômica e social agro-pastoril. E a sociedade era formada a partir de uma transição entre grupos agro-pastoril e a sociedade urbana industrial capitalista. Este modelo, posteriormente , foi utilizado para explicar a cisão entre  sociedades desenvolvidas e subdesenvolvidas. Trata-se evidentemente, de uma construção reducionista , desideologizadora e despolitizadora da realidade em seus aspectos sociais, históricos, econômicos e políticos.

 

Tönnies utilizou a nomenclatura comunidade para descrever um tipo fundamental de relações sociais caracterizada por solidariedade, consenso , partilha de objetivos e vontades comuns, de movimentos e comportamentos , de propriedades e bens. Nos estudos de Tönnies (1965, p.51), as diferenças entre comunidade (Gemeinnschaft) são claras.

 Ao definir comunidade, observa-se:

 

- um implícito discernimento de valores segundo o qual a comunidade é o lócus (território) social mais humano da sociedade e ali encontramos expressões e desenvolvimento de atitudes e de sentimentos  habitualmente considerados positivos e construtivos para a convivência  social, como a compreensão recíproca, a concórdia, a autoridade exercida para o bem comum e a força usada para ajudar os mais frágeis;

- uma afirmação de naturalidade da comunidade e das relações que ligam seus membros (relações fundadas sob o estado de natureza e laços positivos de conjunções  físicas  e espirituais), como contraponto à artificialidade da sociedade, fundada sob o contratualismo, sob a necessidade de condicionar as atitudes negativas das pessoas individuais separadas para perpetuar e manter a  convivência.

 

Já o conceito de sociedade abrange um tipo especial de relação humana, caracterizada por um alto grau de individualismo, impessoalidade e contratualismo procedentes  da vontade ou do puto interesse , e não dos complexos estados afetivos, hábitos e tradições subjacentes à comunidade.

 

 

 

O SENTIDO DAS PALAVRAS

O SENTIDO DA ORIGEM DO TRABALHO

Por que trabalhamos? A resposta não é tão fácil quanto parece. Sem um longo processo de sujeição física e psíquica, de opressão cotidianizada, internalização de valores sociais e  morais sexualmente repressivos e enunciados racionalizadores (do sacrifício, da culpa, do dever, da renúncia...), dificilmente alguém trabalharia.

O significado da palavra trabalho remonta à sua origem latina: tripalium (três paus) - instrumento utilizado para subjugar os animais e forçar os escravos a aumentar a produção. O tripalium era, pois, um instrumento de tortura, algo semelhante à cruz que o rebanho cristão adotou como objeto-símbolo de um culto masoquista.

Antes de adquirir o significado moderno – isto é: urbano, industrial e capitalista – a palavra trabalho designava atividades estafantes, insalubres e penosas. Hoje, seu significado é mais extenso e difuso. O que caracteriza o trabalho é justamente o fato de se tornar cada vez mais abstrato, pois já não se refere a essa ou aquela atividade, mas à atividade e ao esforço em si mesmos. Já não plantamos, tecemos ou pastoreamos, tampouco operamos um equipamento; simplesmente, trabalhamos. Iniciando uma discussão que consideramos das mais fecundas e relevantes, transcrevemos abaixo um trecho das Tesis de Orientación Programática, do Grupo Comunista Internacionalista, da Bélgica.

TESE 40:

"O trabalho é a negação da vida, da alegria e do prazer humano. O trabalho faz do homem um estranho para si mesmo, alienado da humanidade como um todo. O trabalho é a atividade humana subjugada às necessidades da classe dominante, que se apropria do subproduto obtido mediante a exploração das outras classes.

O capitalismo, ao separar os explorados de seus meios de vida e de produção, impôs a escravidão assalariada por toda a parte, reduzindo o homem à condição de trabalhador.

No trabalho, o proletário se vê completamente despojado de seu produto, alienado, negado em sua essência, em sua vida, em seus desejos... Além de desperdiçar seu suor, seu sangue e sua vida, numa atividade cujo absurdo só é menor do que o embrutecimento que acarreta, o trabalhador é separado dos demais homens, separado da espécie humana.

Somente na luta contra o trabalho, contra a atividade que estão forçados a executar e contra aqueles que os forçam, os proletários se reapropriam de sua condição humana. Com a generalização desta luta e a conseqüente negação da sociedade atual, avançam no sentido de uma sociedade comunista, na qual toda atividade humana estará voltada para a satisfação das necessidades humanas."

 

TESE 40A:

"Todas as ideologias do capital fazem a apologia do trabalho, como a atividade mais importante, à qual tudo se subordina, a atividade essencial do homem. O homem é considerado não como tal, mas ´pelo que faz na vida`, o que, na sociedade capitalista, quer dizer ´profissão`, ´trabalho`. Tais ideologias se baseiam no sacrifício, na renúncia, na interiorização das emoções e dos sentimentos...

Ao trabalho corresponde o sacrifício e a este, a religião (incluída a religião capitalista de estado, do marxismo-leninismo), como tentativa de justificar a repressão dos desejos e prazeres humanos, para a maior glória da burguesia.

Os sacerdotes e mandarins de todas as ideologias - entre os quais a esquerda do capital, que enaltece as mãos calosas do proletariado e se vangloria da miséria alheia - oferecem dogmas e ilusões para todos os gostos, propondo ´uma sociedade futura`, onde - após a morte, certamente - os proletários terão a recompensa pelos sacrifícios e renúncias que fizeram, a partir do momento em que aceitaram a mais desigual das trocas: a troca da vida pela sobrevivência ."

 

 

 

 COMPANHEIRO

 

Nas origens ibérico-castelhana, a palavra é composta de con+panero, que é alguém muito chegado, que come o pão conosco ou nós partilhamos o pão com ele. Para nós os brasileiros, companheiro é sinônimo de parceiro, amigo, colega, sócio.

 Entretanto, companheiro é aquele que doa algo para o bem do outro. 

Na raiz etimológica , essa doação é caracterizada pela oferta e partilha do pão.

Quem doa, doa a si mesmo.

 

SALÁRIO

salary - ou 'salário' vem do latim salarium, significando 'do sal'. Isso se explica porque os soldados do Império Romano recebiam uma quantia periódica para compra de sal, uma mercadoria de grande importância e alto valor na época. Além de servir para melhorar o sabor dos alimentos, servia para melhor conservá-los, numa época em que não havia refrigeração.

 

ESCOLA

school - a palavra school, obviamente ligada à palavra 'escola' do português, tem sua origem mais próxima no latim clássico schola, que por sua vez originou-se do grego skhole, que significava 'lazer'. Se para os gregos que viveram um século antes de Cristo, busca de conhecimento era lazer, parece uma ironia do destino que muitas escolas hoje representam um verdadeiro tormento a seus jovens freqüentadores.

 

TEXTO

text - ou 'texto' vem do latim texere (construir, tecer), cujo particípio passado textus também era usado como substantivo, e significava 'maneira de tecer', ou 'coisa tecida', e ainda mais tarde, 'estrutura'. Foi só lá pelo século 14 que a evolução semântica da palavra atingiu o sentido de "tecelagem ou estruturação de palavras", ou 'composição literária', e passou a ser usado em inglês, proveniente do francês antigo texte.

 

TRIVIAL

trivial - os educadores medievais reconheciam 7 artes liberais divididas em 2 grupos: as 3 elementares, denominadas em latim como o trivium de tri (três) + via (caminho) e as outras 4, mais elevadas, denominadas de quadrivium (4 caminhos). As artes do trivium eram a Gramática, a Lógica e a Retórica. As artes do quadrivium eram: Aritmética, Música, Geometria e Astronomia.

Em paralelo, o adjetivo trivialis do latim, além de referir-se às 3 artes do trivium, tinha também o significado de comum, ordinário. Ou seja, a qualidade pertinente a um ponto de encontro, a uma junção de três vias ou caminhos. Isto presumivelmente porque em tais locais públicos, por onde todo mundo passa, as pessoas eventualmente paravam para uma conversa inconseqüente, para botar a fofoca em dia.

Seja pela noção de que as artes do trivium talvez fossem menos importantes, ou porque nas esquinas e nos pontos de encontro de estradas as pessoas acabam parando para conversar sobre acontecimentos cotidianos, assuntos de pouca importância, o fato é que a partir de fins do século 15, a palavra trivial (de ortografia idêntica em português) passava a ser usada em inglês, assim como também em português, com o sentido de comum ou ordinário.

 

 

PÃO DE CADA DIA

Thiago de Mello

 

Que o pão encontre na boca

O abraço da canção

Inventada no trabalho.

Não a fome fatigada

De um suor que corre em vão.

 

Que o pão do dia não chegue

sabendo o resto de luta

e o troféu de humilhação.

Que o pão seja como flor

festivamente colhida

por quem deu ajuda ao chão.

 

Mais do que flor, seja o fruto

nascendo límpido e simples

sempre ao alcance da mão.

Da minha e da tua mão.