TRABALHO E AUTONOMIA

Antônio David Cattani

 Antônio David Cattani nasceu em Garibaldi, RS. É doutor em ciências sociais pela universidade de Paris I-panthéon-Sorbonne (1980). Fez pós-doutorado na Escole de Hautes Etudes em sciences sociales, em Paris (1993).

É professor e membro da comissão coordenadora de Pós – graduação em sociologia na universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador do projeto “sistema de informação banco de dados” da rede interuniversitária UNITRABALHO.

  

Mutações contemporâneas

 O capitalismo vive um momento de glória.  Impõe os princípios do mercado como referencial obrigatório para todas as dimensões da vida social. As elites vislumbram a possibilidade de estender sua dominação sem resistência e revolta. As contradições e desigualdades passaram a ser admitidas como inevitáveis.

O capitalismo também, enfrenta a mais grave crise de sua história, a sociedade do trabalho está em crise, a modernidade, a ação coletiva, também a crise da família, do estado e das ciências sociais. Ele não pode existir sem transformar os instrumentos e as condições de trabalho, o capital é um processo.

Mesmo nos melhores momentos os países do capitalismo avançado nunca conseguiam chegar a compor uma sociedade social e economicamente integrada porém a expectativa  era de,  um dia, concretizar essa situação. As evidências vão no sentido contrário. O que é tido como certo é o agravamento dos problemas a deteriorização social, contidas na intensificação tecnológica.

Resistir é preciso, criticar essas modalidades de realização do capital. A precarização, a exclusão, o desemprego, a alienação no trabalho, de forma alguma podem ser consideradas como inevitáveis.

Todas as mudanças da sociedade pos industrial reforçam ainda mais, a importância do trabalho, mesmo quando ele é referencia negativa (no caso de desemprego) a sociologia do trabalho deve recuperar seu potencial critico.

 

 

Desemprego e Degradação Social

As transformações econômicas e sociais ocorrida nos últimos dois séculos resultaram na incorporação de um numero proporcionalmente crescente de individuo na esfera produtiva.

O desemprego se transformou em um indispensável elemento explicativo dos problemas de transformação econômicos e sociais.

A metamorfose no trabalho esta redefinindo as bases de socialização, mas não a ponto de desestabilizar a sociedade capitalista. Os fatos comprovam uma degradação de uma parcela crescente da população ativa. Surge a seletividade dos trabalhadores e, assim, o sistema assume isso como estratégia para descartar os trabalhadores aos quais ele não consegue fornecer trabalho produtivo.

Assim, essa parcela é excluída, degradada economicamente, depois socialmente, com conseqüências muito negativa no plano físico e moral a situação do terceiro mundo é bem conhecido a novidade é o que esta acontecendo nos países do primeiro mundo o ressurgimento da pobreza surpreende.

O trabalho é principal, ou única maneira de se obter recursos materiais e imateriais a vida em sociedade.

Na sociedade que fazem do consumo o valor supremo é a perda ou redução de poder aquisitivo é uma grande provação*

A sociedade do tempo livre foi o sonho de muitos visionários. Uma sociedade sem trabalho. Esse é um dos pesadelos deste fim de século.

  

Identidade e possibilidade do movimento associativo

dos trabalhadores

 Nesses últimos anos ocorreram mudanças na estrutura produtiva e no agenciamento das relações de produção.

Os sindicatos podem contribuir para conquista espaços de liberdade e de autonomia. O sindicalismo é o principal desmancha prazeres do capitalismo. Está integrado de maneira a complementar, à complexa rede de forças sociais.

A sociedade capitalista criou uma separação entre os cidadãos - sujeitos de direitos amplos – e os trabalhadores - desprovidos de autonomia. Os sindicatos se esforçam para reduzir essa diferença, mas o sindicalismo enfrenta uma grave crise.

 

   

 

Trabalho e Educação

O investimento na inteligência permitira contra-atacar a seletividade excludente e o novo avassalamento produzido pelas elites. Atualizam-se a idéia do saber como fator de progresso humano e social. A educação é essencial para a auto valorização da autonomia.

Sabemos que no Brasil os problemas de educação são grandes. A maior parte da população não passou pela escola ou a freqüentou por muito poucos anos.

Pode-se ressaltar também a qualidade de educação ministrada. Nosso sistema educacional é caracterizado por profundas desigualdades, assim, poucos são aqueles que conseguem se qualificar de acordo com as exigências do sistema e há, então, uma desqualificação para o trabalho.

O ensino deve ser mais audacioso, articulado com a qualificação contínua para o trabalho.

  

 

Conclusão

 Vemos, através deste, a crise enfrentada pelo mundo do trabalho, as mutações econômicas e sociais contemporâneas e a permanência das contradições e das tendências básicas do capitalismo. Vemos o significado do desemprego como fator de desagregação social e degradação humana.

O autor faz um resgate dos conceitos de trabalho e de ação coletiva e da idéia de autonomia conquistada através do projeto educativo. Fala também da participação dos sindicatos no investimento na inteligência, o que permitira contra atacar a seletividade promovida pelas elites, assim sendo a educação essencial para se ter trabalho e consequentemente autonomia, sendo esse o fator de progresso humano e social.