TEXTO

 

 

TRABALHO DE SOCIOLOGIA DO TRABALHO  -  FICHA DE LEITURA

LIVRO = O FIM DOS EMPREGOS

 

 

             A ficha de leitura que será apresentada é do livro: O FIM DOS EMPREGOS.

            O Declínio inevitável dos níveis dos empregos da força global de trabalho de RIFKIN, JEREMY.

            Título Original: THE END OF WORK

         

           

            Jeremy Rifkin é autor de mais de uma dúzia de livros sobre tendências econômicas e questões relacionadas à ciência, tecnológica e cultura.

            É formado em economia pela Whartno School of Finance and commerce, da universidade de Pensilvânia, e em questões internacionais pela Fletcher School of law and Diplomacy, da universidade de Tufts.

            É  presidente da Foundation on Economic Thends em Washington, D.C.

 

  

 PREFÁCIO

 

Rifkin explora algumas das mudanças obvias que nos serão impostas por este relacionamento emergente.

 

 

INTRODUÇÃO

           

            A Era da informação chegou. Nos próximos anos, novos e mais sofisticados tecnologias de software aproximarão cada vez mais a civilização de um mundo praticamente sem trabalhadores.

            O preço do progresso está afetando a força de trabalho global.

 

 

 RESUMO:

 PARTE I

 

AS DUAS FACES DA TECNOLOGIA

 

CAPÍTULO 1

 

Máquinas inteligentes estão substituindo seres humanos em incontáveis tarefas, forçando milhões de trabalhadores de escritório e operário para as filas do desemprego ou pior, para as filas do auxílio desemprego.

As empresas estão reestruturando rapidamente suas organizações, tornando-as computer friendly (amistosas ao computador). Com isso eliminando níveis.

Para alguns, especialmente para os cientistas, engenheiros e empregadores, um mundo sem trabalho sinalizará o início de uma nova era na história, na qual os seres humanos serão libertados de uma vida de árduo trabalho e de tarefas repetitivas sem sentido. Para outros, a sociedade sem trabalhadores evoca a idéia de um futuro sombrio de desemprego em massa e pobreza generalizada, acentuada por tumultos sociais e revoluções.

 

CAPÍTULO 2

 

Por mais de um século, a sabedoria econômica tem ditado que novas tecnologias fomentam a produtividade, reduzem custos de produção e aumentam a oferta de produtos baratos, que por sua vez aumentam o poder aquisitivo, expandem mercado e geram mais empregos.

            Muitos economistas ortodoxos concordaram parcialmente com a análise de Marx. Estavam dispostos a admitir que os ganhos em produtividade e a substituições de homens por máquinas criavam um exercito de reserva de desempregos. Mas, ao contrário de Marx, muitos entenderam a demissão tecnológica como um mal necessário para fomentar a prosperidade global da economia.      

            Os fabricantes, ansiosos por vender seus produtos e impacientes com ritmo lento dos intermediários e atacadistas, passaram a vender diretamente ao público, sob nomes de marcas. O novo interesse pelo marketing refletia uma crescente conscientização por parte da comunidade empresarial da economia.

Com isso trabalhadores sindicalizados em todo país se unirão sob a bandeira “compartilhar o trabalho”, mas é ingenuidade acreditar que grandes números de trabalhadores sem qualificação e semiqualificados, possam ser treinados para tornarem-se físicos, cientistas da computação, advogados, etc...

 

CAPÍTULO 3

 

A tecnologia tornou-se o novo Deus secular e a sociedade americana não demorou a reformular seu próprio senso de individualidade à imagem de suas poderosas novas armas.

Tudo na nova utopia tecnológica é submetido à minuciosa inspeção da ciência. É claro que os cientistas não falam de suas descobertas como milagres. Mas para o homem comum acabam tendo esse caráter.

A eficiência passou a dominar o ambiente de trabalho e a vida da sociedade moderna, em grande parte por causa de sua adaptabilidade à cultura tanto da máquina quanto humano.

O movimento tecnocrata conquistou a imaginação do país em 1932. Seu sucesso não duraria muito. Confeitos internos entre seus líderes levaram o movimento a se desintegradas em facções antagônicas.

 

 

PARTE II

 

A TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

 

CAPÍTULO 4

 

Começa a ocorrer impactos significativos na organização das atividades econômicas. Robôs com controle numérico, computadores e softwares avançados estão invadindo a última esfera humana – os domínios da mente.

Muitos cientistas da computação anseiam pelo dia em que máquinas inteligentes serão suficientemente sofisticadas para evoluírem por si mesmos - criando, com efeito, sua autopercepção - sem a necessidade da constante intervenção humana.

Ameaçados pela crescente intensidade das exigências dos trabalhadores e determinados a manter seu controle de longa data sobre os meios de produção, os gigantes industriais dos Estados Unidos voltaram-se à nova tecnologia da automação, tanto para se livrarem de trabalhadores rebeldes, quanto para melhorar sua produtividade e seu lucro.

 

CAPÍTULO 5

 

Milhões de trabalhadores não qualificados e suas famílias tornaram-se parte do que historiadores sociais agora chamam de subclasse uma parte da população permanente desempregada, cuja mão de obra não qualificada já não é mais necessária e que subsiste ao “deus-dará” de geração a geração sob a proteção do governo. Um segundo grupo menor de profissionais negros de classe média estão sendo colocados na folha de pagamentos do governo para administrar os vários programas de assistência pública, implantadas para auxiliar essa nova subclasse urbana.

            A amarga experiência dos trabalhadores negros e operários nas industrias tradicionais nos últimos três quartos de século é um prenúncio do que está por vir, à medida que milhões de trabalhadores adicionais forem demitidos em função dos avanços tecnológicos.

 

CAPÍTULO 7

 

Empresas tradicionais, que haviam se acomodado durante os anos de desenvolvimento, começaram a inventariar as novas circunstâncias com que se defrontaram. Enfrentando a crescente concorrência internacional e interna, as empresas procuram novas maneiras de cortar custos, aumentar a fatia de mercado e os lucros.  A característica que define a corporação moderna é sua estrutura administrativa hierárquica. 

O processo da reengenharia nas corporações está apenas começando e o desemprego já está aumentando.

 

PARTE III

 

O DECLINIO DA FORÇA DE TRABALHO

 

CAPÍTULO 8

 

            As mudanças tecnológicas na produção de alimentos estão levando a um mundo sem agricultores, com conseqüências imprevisíveis para 2,4 bilhões de pessoas que dependem da terra para sua sobrevivência.

            O computador e seu software são os meios usados para decifrar, isolar e analisar a informação genética e são indispensáveis na criação dos novos animais e plantas transgênicas. Portanto o computador é a ferramenta essencial para manipular “sistemas vivos”. Substituindo a força animal e o trabalho humano por máquinas e produtos químicos, agora uma emergente revolução biotecnológica.

 

CAPÍTULO 9

 

As tecnologias de processo contínuo introduziram uma nova abordagem radical à industrialização.

            Estima-se que cada robô substitui quatro empregos na economia e, se usado constantemente, 24 horas por dia, se pagará em apenas pouco mais de um ano.

            Atualmente mulheres e homens trabalhadores em todo o mundo estão presos entre eras econômicas e cada vez mais marginalizados pela introdução de novas tecnologias poupadoras de mão-de-obra, ou seja, as empresas podem demitir muito mais trabalhadores do que precisam contratar para implementar a tecnologia, deixando menos espaços para a participação humana direta em fazer, transportar, vender e prestar serviços.

           

PARTE IV

 

O PREÇO DO PROGRESSO

 

CAPÍTULO 11

 

Virtualmente cada líder empresarial e a maioria dos economistas da corrente principal do pensamento econômico continuam a afirmar que dramáticos avanços tecnológicos da Terceira Revolução Industrial terão um efeito “mágico”. No entanto, para um número crescente de trabalhadores, que se encontram desempregados ou subempregados, o conceito da “mágica” da tecnologia é de muito pouco consolo.

            Os Números do governo muitas vezes são mascarados a verdadeira dimensão da crise atual de desemprego. Em todo país, os cargos de renda média estão desaparecendo nas ondas da revolução da reengenharia. Sendo comum milhares de graduação candidatarem-se a uma única vaga.

            Os sinais de desintegração social estão em toda parte. Mesmo os sábios políticos conservadores estão começando a perceber as modificações

            Ter o monopólio sobre o conhecimento e sobre as idéias assegura o sucesso competitivo e a posição no mercado.

 

CAPÍTULO 12

 

            Este outro mundo está se enchendo de trabalhadores alienados vivenciando níveis crescentes de estresse em ambiente de trabalho de alta tecnologia e crescente insegurança no trabalho, à medida que a Terceira Revolução Industrial vai se insinuando em cada indústria e setor.

            Cada vez mais, os trabalhadores agem exclusivamente como observadores, impossibilitados de participar ou interferir no processo de produção.

            O emprego é muito mais do que medida de renda, para muitos é a medida essencial de auto merecimento. Estar desempregado é sentir-se improdutivo e cada vez mais imprestável.

 

CAPÍTULO 13

 

            Em cada economia avançada, novas tecnologias e práticas de gerenciamento estão deslocando trabalhadores, criando um exercito de trabalhadores contigenciais, aumentando a lacuna entre possuidores e não-possuidores e criando novas e perigosos níveis de estresse.

 

CAPÍTULO 14

           

            O crescente desemprego e a perda de esperança num futuro melhor estão entre as razões pelos quais dezenas de milhares de adolescentes estão se voltando para uma vida de crime e violência.

            O futuro está repleto de medo e não de esperança, de fúria crescente e não de expectativas.

 

PARTE V

 

A AURORA DA ERA PÓS-MERCADO

 

CAPÍTULO 15

 

            Os utópicos tecnológicos há muito já vêm defendendo que a ciência e a tecnologia adequadamente aproveitadas, finalmente libertariam os seres humanos do trabalho formal.

            A redução da semana de trabalho tem acompanhado aumentos dramáticos de produtividade e crescimento econômico, desmentindo a constante afirmação de menos trabalho e mais ociosidade abalam a competitividade e os lucros corporativos.

            A reivindicação pela redução da semana de trabalho tem muitas características atraentes e provavelmente estará implementada em vários países do mundo até o final do século.

Infelizmente, os trabalhadores não têm muita voz ativa sobre o modo como suas economias compulsórias são investidas, apesar das reivindicações as empresas tem sido inflexíveis contra as tentativas.

            Outro ponto relevante é equilibrar trabalho e lazer tornando-se uma questão de suma importância para os pais de família.

           

CAPÍTULO 16

 

A nação-estado, com sua imutabilidade e sua ligação física a terra, é muito lenta para iniciar e reagir ao ritmo acelerado das forças do mercado global.

            É o plano da solicitude que atende as necessidades e aspirações de milhões de pessoas que, de alguma forma, foram excluídas ou não foram adequadamente atendidas pela esfera comercial ou pública. Há razões para crer na esperança de que uma nova visão comprometida com a comunidade vá ocorrer.

 

CAPÍTULO 17

 

            A globalização do setor de mercado e a diminuição do papel do setor governamental significarão que as pessoas serão forçadas a se organizarem em comunidades de interesses próprios para garantirem seu próprio futuro.                          Se o terceiro setor pretende transformar-se em uma força eficaz, capaz de lançar o trabalho de base viável para uma era pós-mercado, o governo terá de desempenhar um papel de apoio na transição.

            Alimentar os pobres, fornecer serviços básicos de assistência à saúde, educar os jovens da nação, construir moradias a preços acessíveis e preservar o meio-ambiente encabeçam a lista das prioridades urgentes nos próximos anos.

Facilitar a transição de milhões de trabalhadores do emprego formal na economia de mercado para o serviço comunitário na economia social será essencial. O pagamento de um salário social adequado daria a milhões de americanos desempregados, trabalhando em milhares de organizações comunitárias de ajudarem a si próprios.

            Forjar novas alianças de trabalho entre órgãos governamentais e o terceiro setor ajudarão a construir comunidades auto-suficientes e sustentáveis em todo país.

 

CAPÍTULO 18

 

            Nos próximos anos, organizações do terceiro setor serão forçadas a assumir responsabilidades crescentes como conseqüência dos cortes do governo nos serviços sociais.

            Crime, violência aleatória e distúrbios sociais estão crescendo e mostram todos os sinais de que verão crescer expressivamente nos próximos anos.

O fim do trabalho poderia significar a sentença de morte para civilização, como o conhecemos. O fim do trabalho poderia também sinalizar uma grande transformação social, um renascimento do espírito humano.

             

 

 

Autor

 Wanderley Codo

O que é alienação. 10ºed. São Paulo: Brasiliense, 1995.

(Coleção primeiros passos) 

 

 

O que é alienação:

 

Quando estamos falando em alienação, estamos falando do mistério de ser e não ser, ao mesmo tempo, no mesmo momento. Um bem qualquer que esteja alienado é seu e não é seu ao mesmo tempo, porque você pagou e não pagou por ele.

 

      Os antigos, quando se referiam à loucura, usavam o termo “alienação mental”. O louco, segundo essa concepção, é alguém que deixou de pertencer a si mesmo, é um estranho perante si próprio.

 

      O homem alienado é um homem desprovido de si mesmo. É preciso entender como o homem se constrói, para que saibamos como ele se nega. Foi através do trabalho que o homem se construiu. Nossa herança e nossos projetos se materializam por e pelo trabalho, ponto de intersecção entre passado e o futuro, sinônimo de História. Investigar sobre o ser do homem nos obriga a partir do fazer do Homem.

 

      O trabalho é ao mesmo tempo criação e tédio, miséria e fortuna, felicidade e tragédia, realização e tortura dos homens. Todos “descansamos” do trabalho com o trabalho, todos lutamos pelo direito ao lazer e pelo direito ao trabalho, nos orgulhamos e nos envergonhamos do nosso trabalho. Através do trabalho o homem transforma a natureza, que também nos transformou.

 

            Dentro de uma fábrica, por exemplo, tanto faz o tipo de trabalho que tu realiza, o produto não te pertence, não há nenhuma relação entre o que tu produziu e o que consome. O trabalho se volta contra o seu criador, quem produz riqueza colhe miséria. Se por outro lado, de forma artesanal, por exemplo, o trabalho promove as relações entre as pessoas, que a produção insere o indivíduo na História, que o homem se hominiza pelo que faz, na indústria, fábrica ocorre o inverso o trabalho impede as relações entre as pessoas, rouba do homem seu destino, usurpa o que temos de humano.

 

            No trabalho organizado na sociedade capitalista, ocorre uma ruptura, uma cisão, um divórcio entre o produto e o produtor, o trabalhador produz o que não consome, consome o que não produz. Aí a alienação implica ser e não ser ao mesmo tempo.

 

            O trabalho por ser o meio de vida do homem, é o que torna o homem vivo, parecido consigo mesmo. Tomando o trabalho na sua versão original, descolado abstratamente do sistema que o rege, encontramos o prazer. Quando retomamos o mesmo trabalho, inserido no sistema de produção industrial, dentro da fábrica, encontra-se a tortura, o que nos obriga a questionar sobre o sistema econômico em que vivemos e buscar nele as respostas deste duplo caráter da atividade humana.

 

            Antes se tinha o seu próprio ritmo no trabalho, artesanal, porém a mercadoria empresta um ritmo de produção e troca seu trabalho pelo preço dessa produção. Isso termina por controlar o próprio tempo de produção através de um mecanismo bastante semelhante ao da seleção natural. O significa que a mercadoria impõe um ritmo de trabalho, rouba a decisão do homem sobre o tempo gasto no seu trabalho.

 

            Quando o trabalho se transforma em mercadoria, passa a valer a quantidade de trabalho injetado na natureza e não mais a qualidade de trabalho. A mercadoria só será mercadoria na medida em que permita o lucro. O trabalho humano não só se transformou em mercadoria, como também em uma mercadoria especial. Uma mercadoria capaz de ser explorada, porque é comprada pelo preço da sua própria reprodução, ou seja, eu pago ao trabalhador que realiza o produto o necessário para que ele sobreviva e vendo o produto no mercado pelo valor que ele tem. Apenas o trabalho humano pode ser explorado e se transformar em lucro. O trabalho, modo de sobrevivência do homem, transformou-se em modo de exploração de um homem pelo outro.

 

            Essa dupla relação -mercadoria e lucro- promove a ruptura entre o homem e o seu próprio gesto, entre a ação e o dono dela, entre o trabalho e o seu produtor; eis como a alienação é gerada na nossa sociedade.

O trabalho também é uma via de identificação com o outro, nos insere num grupo, numa espécie, nos iguala e nos diferencia dos outros indivíduos pela via do trabalho eu significo algo para o outro e o outro significa algo para mim.

 

            No trabalho alienado o outro se apresenta a mim como um ser estranho. A alienação inventa a solidão humana, transforma cada um de nós em seres irreconhecíveis perante o outro.

 

            A razão da existência do capital é o seu próprio crescimento, não só se realiza quando cresce. Ou cria novas necessidades de consumo, ou se apropria de necessidades nunca dantes transformadas em mercadoria.

 

            O capitalismo entra em crise de superprodução cíclica: enquanto faltar produtos o sistema esta bem, quando eles existirem ocorrerá uma crise, embora as necessidades básicas estejam longe de serem satisfeitas. A produção, portanto, é consumo dos meios de produção, é consumo de força de trabalho e, por último, é condição para a produção. Uma mercadoria que não vem a ser consumida não se transforma em mercadoria, o consumo é um elo obrigatório na corrente da produção.

 

            O consumo pode num 1ºmomento, te alienar das relações de produção e consumo. Em um 2ºmomento, transforma essa alienação e escravidão em liberdade e fantasia. Terceiro provoca a necessidade de consumir a fantasia que ela criou. O homem produz e não é dono do produto do seu trabalho, se realiza num produto que, ao se voltar contra ele, o desrealiza, enfrenta como inimigo seu ser inorgânico; a natureza hominiza. A rigor o processo de alienação radical corresponde à morte no sentido psicológico, social e mesmo físico.

 

            Em resumo, o processo de conscientização, a rebeldia contra o cotidiano, a participação social e política têm um papel bastante importante na luta contra a alienação. A transformação do produto em mercadoria que gera lucro (mais-valia) demanda a transformação do próprio trabalho em mercadoria, vendida e apropriada como qualquer outra. Eis o reinado da alienação: o produto se separa do produtor, ”enfrenta-o como ser estranho” meu trabalho, meu modo de ser no mundo não me pertence. Por esta via eu me separo de mim mesmo, do outro, da História.

 

Onde quer que o capital imponha relações entre mercadorias, alienação se manifesta; é a relação social engendrada pelo capital, seu jeito de ser humano.

 

   Breve análise

 

O autor Wanderley Codo analisa as diversas concepções acerca da “alienação” bem como ela é produzida. Ao meu ver, concordo com o que foi mencionado em sua obra” O que é alienação”, a qual utilizo como suporte para minha análise pessoal.

 

            Para considerar um homem como alienado é preciso compreender que ele é e não é ao mesmo tempo, ou seja, ele não se reconhece, é considerado um estranho. As relações de trabalho também interagem dentro desse processo de alienação, já que o homem se constrói pelo seu trabalho. Então, se pode considerar o trabalho como meio de felicidade, realização e também de tortura, pois se observar um trabalhador de uma fábrica (que exerce uma atividade “pesada”), notamos que o trabalho se torna meio de tortura, ele não vê a hora de ir para sua casa, não agüenta mais trabalhar, esta cansado, irritado. O mesmo trabalhador no final de semana vai desenvolver uma outra atividade que também lhe cansa, irrita... porém, ele encontra nesta um meio de realização. Ele acaba descansando do seu trabalho com trabalho.

 

            Ele pode se relacionar através do seu trabalho, pode criar, se realizar, se identificar com ele ( na forma artesanal, por exemplo). Mas se levarmos em conta o trabalhador de uma indústria observamos que o produto não pertence ao trabalhador, não se tem a relação com as diversas etapas da elaboração, montagem... do produto. O trabalhador executa a sua tarefa e não se vê como parte dela, ele tem de se concentrar para que a produção não caia, evitando prejuízos ao seu patrão; o trabalhador não mais decide, como na maneira artesanal em que participa de todo o processo e não se fragmenta conforme na indústria.

 

            O trabalho é visto como mercadoria, que pode ser explorada, que deve gerar o máximo de lucro e o mínimo de prejuízos. O trabalho do homem é explorado por outros homens, portanto passa ater um “novo dono”. Sendo assim, uma forma de alienação, pois o homem não vê o fruto do seu trabalho como seu, e sim de outro homem que o explora, que agora detém o fruto do trabalho, bem como o trabalho humano.

 

O capital tende a criar novas necessidades para gerar o consumo e por sua vez a produção de mercadorias. Essas necessidades possuem como grande aliado os veículos de comunicação, que acabam exercendo uma forte influência sobre as pessoas, criando necessidades que não são necessárias, um bom exemplo são as novelas que acabam ditando a moda. A partir daí é criada uma necessidade, de se vestir igual às pessoas da novela, e as pessoas muitas vezes, diria na maioria, não se dão de conta de tal manipulação. Bom, criada necessidade entra o consumo muito necessário à produção. O homem passa a ser cada vez mais explorado, é preciso garantir lucro, se produz mais em pouco tempo e a força de trabalho é aproveitada ao máximo.

 

            O homem é considerado alienado quando não se opõem a esta situação, quando pensa que é normal os privilégios do patrão, as horas que se dedica para ganha muito pouco, o trabalho que não é considerado como seu, já que ele não tem mais a visão do todo (como na produção artesanal, onde ele participa de todo o processo). Porém este homem é tão alienado quanto um que esteja engajado no movimento sindical, por exemplo, já que os dois estão inseridos no contexto de exploração, de fragmentação do trabalho.

 

            Portanto, a alienação se apresenta onde aparecer relações envolvendo lucro, mercadoria...,o homem acaba fixado na sua função dentro da indústria, garantindo a produtividade, enquanto o que é seu ,o Trabalho, é explorado por outro que por sua vez se apropria de algo que já não lhe pertence mais. Mas é através do processo de conscientização, informação, participação de todos de forma igualitária; obtém-se aí um grande instrumento de luta contra a alienação.